MENINAS MALVADAS

As icônicass

Mulheres são más umas com as outras. A amizade entre os homens é mais sincera, próxima e tranquila. Todo mundo já discutiu essas máximas. Diversos livros, estudos e filmes foram feitos a respeito do problema da “menina má”, aquela garota agressiva e que, na tentativa de ser popular, não se constrange ao espalhar rumores sobre as colegas ou ao ofender outras garotas abertamente. Todo mundo conhece uma Regina George a personagem de Rachel McAdams no filme... Meninas malvadas. Bonita, alta, rica e ardiolosa o cinema ensina que é melhor manter distância. Uma nova pesquisa, publicada no periódico Agressive Behavior, afirma que todo mundo erra feio. A professora Pamela Orpinas, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade da Georgia,nos Estados Unidos, acompanhou grupos de alunos ao longo de sete anos. No total, seguiu a vida acadêmica de 620 estudantes dos 11 aos 18 anos de idade. Anualmente, os adolescentes respondiam a um questionário sobre a frequência e a natureza das agressões de que eram vítimas ou autores. O objetivo de Orpinas era descobrir se essas diferenças entre os gêneros meninas agressivas, meninos companheiros que a sabedoria popular cimentou resistiam ao teste da ciência.

A ideia da menina malvada circula na cultura popular há decadas: filmes do anos 1950, como A malvada (Oscar de melhor filme em 1951), já a retratavam. Segundo Orpinas, da metade para o final da década de 1990, essas representações se tornaram mais frequentes. Elas influenciaram livros de ficção e filmes de Hollywood, e deixaram rastros em trabalhos acadêmicos : “Diversas das pesquisas qualitativas realizadas focam em como as garotas são más umas com as outras”, diz a professora. Elas tratam do tema como um problema a ser resolvido e, frequentemente, propõem soluções. É esse o espírito do livro Queen Bees and Wannabees, de Rosalind Wiseman. Lançado em 2002, ensina aos pais de garotas adolescentes como navegar por uma fase em que crises entre amigas e difamações ganham destaque na vida das meninas. A intenção é ensiná-las a ser mais gentis umas com as outras. O livro serviu de inspiração para Meninas malvadas, filme que estreou em 2004. Para Orpinas, esses trabalhos erram o foco. Sua pesquisa mostrou que agressão relacional a forma como os cientistas chamam os insultos, boatos ou o ato hostil de impedir que um amigo sente com você à mesa do almoço, de modo a excluí-lo do seu círculo social é algo experimentado por meninos e meninas, e que tende a perder frequência com os anos: conforme amadurece, o adolescente percebe que cooperar é uma atitude mais produtiva. Os dados da pesquisadora também defendem que essa é uma atitude mais comum entre garotos. E que as meninas, ao contrário do que se pensa, tendem a ser vítimas, não algozes. Orpinas dividiu os estudantes em três grupos diferentes, de acordo com a frequência com que eram vítimas ou autores desse tipo de agressão. E os agressores mais frequentes eram garotos. No grupo classificado como de alta agressividade, 66,7% dos estudantes eram meninos, contra 33,3% meninas.